De Profundis: arregaçando as mangas pelo gótico nacional

•13/12/2012 • 12 Comentários
Paraiso pra gente

O Paraiso pra gente o que é que é? Um porãozinho, luzes apagadas, um palquinho, uma bandinha tocando e a gente ali ouvindo.

O alcance do trabalho de Eduardo “Morpheus” Affinito na cena gótica nacional extrapola São Paulo. Tendo morado parte de sua vida no Distrito Federal, sua história e sua atuação ajudaram a pavimentar a ponte entre as subculturas de São Paulo e Brasília, enriquecendo ambas ao estreitar laços entre os dois principais celeiros de bandas darks e góticas dos anos 1980 e 1990.

Muito antes do advento da internet, bandas obscuras do Planalto Central (como Lupercais, Pompas Fúnebres e Políbias) passaram a fazer parte do repertório paulistano graças às resenhas e matérias de seus vários zines (Gnose, Nada, Gothic Party, Atmosphere, Malké Havalah, De Profundis etc.). Além disso, Morpheus compartilhou fitas-demo, vídeos e contatos entre DJs e zineiros paulistanos, intermediando a aproximação entre agitadores culturais dos dois lados.

Essas iniciativas já teriam rendido todo tipo de menção honrosa a Morpheus, mas isso foi apenas o começo. Enquanto muitos cogitavam quão maravilhoso seria termos coletâneas e revistas focadas na divulgação da cena nacional, ele arregaçou as mangas e fez acontecer.

Para contar essas e outras histórias, o Projeto Trashland o entrevistou, e neste post você poderá baixar versões em PDF de suas revistas e acessar alguns trechos do nosso papo.

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Enter the Shadows (1992-93) e a consolidação do gótico paulistano

•06/02/2012 • 28 Comentários

Sou DJ, produtor de eventos, arquiteto frustrado… ex-gótico!

O Projeto Trashland continua a entrevistar os expoentes da cena gótica paulista, reunindo documentos e depoimentos que contam sua história e ajudam a preservá-la. A cada nova entrevista, selecionaremos um pequeno trecho e o publicaremos aqui, como amostra do que está por vir.

O vídeo deste post traz um trecho da entrevista cedida pelo DJ Tonyy, mais especificamente os trechos nos quais ele comenta o zine Enter the Shadows, peça seminal na consolidação da subcultura gótica paulista.

Ativo entre agosto de 1992 e maio de 1993, o zine teve cinco edições que ajudaram a definir o “cânone” gótico paulistano e o modo como a a subcultura era vista por seus próprios integrantes.

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White Light Lametta anuncia seu álbum de estreia

•24/11/2011 • 3 Comentários

— Proud to be goth! — Oh, he'll regret this.

Sediado em São Paulo desde o ano passado, o duo de electro White Light Lametta faz os últimos ajustes para lançar Take It Off Or Put It On, seu álbum de estreia. Previsto para o fim de novembro, o registro trará 11 ou 12 faixas, incluindo material inédito gravado em São Paulo e as quatro canções do EP gravado em Nova York. Os formatos finais ainda não foram confirmados (versões em CD e até em LP foram cogitadas), mas é certo que o lançamento será disponibilizado para download no site oficial da banda.

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This is Drop Dead (2011): flagrantes do underground

•24/06/2011 • 6 Comentários

Surgido em 2003, o Drop Dead Festival foi concebido como um festival nova-iorquino de deathrock. Desde então, muita coisa mudou. Em 2007, o festival migrou para a Europa (Praga, Portugal e Lituânia já sediaram edições do evento), e a proposta inicial foi ampliada para incluir estilos musicais afins, exposições artísticas, exibições cinematográficas e oficinas que promovem a cultura do “faça você mesmo”. Como se não bastasse, o núcleo que o organiza edita uma revista espetacular.

Diferentemente de outros festivais alternativos de maior porte, o Drop Dead Festival não comercializa registros em vídeo de suas atrações, mas um documentário amador acaba de preencher essa lacuna. Produzido por Brent Johnson e Jessica Gallant, This is Drop Dead está agora disponível em DVD. Ao todo, são quase duas horas de filmagem, que reúnem entrevistas, cenas de bastidores e 22 apresentações de bandas de diversos estilos. Além disso, há extras com o trailer, com cenas excluídas e com mais duas performances que apresentaram problemas de captação do áudio (pelas bandas Entertainment e Cinema Strange).

Filmado com apenas duas câmeras na quarta edição do festival (em 2006), This is Drop Dead levou cinco anos pra ser editado. Tal precariedade obviamente acarreta desvantagens. Faltam informações básicas, como o título das canções apresentadas, por exemplo. Tirando isso, cada segundo escolhido para compor a edição final se consolida como testemunho raro tanto do evento em si quanto do Zeitgeist da cena deathrocker de meados da década de 2000. Para adquiri-lo, basta enviar U$ 16.00 (frete internacional incluído) via PayPal para a conta de Jessica Gallant (filmgal@roadrunner.com).

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Natimorto (2009): entre o útero e a forca

•24/05/2011 • 6 Comentários

“Quadrinista trabalha demais e não tem retorno nenhum”, afirmou Lourenço Mutarelli ao comentar seu afastamento das HQs. Aqueles que amaldiçoaram o tratamento que o país dispensa aos seus autores, porém, já não têm do que reclamar: a verve maldita de Mutarelli continua gerando iguarias.

Respeitadíssimo no underground pela virulência de suas HQs, o artista se consolidou como romancista e vem progressivamente conquistando espaço no cinema. Primeiro, tivemos as animações de Nina (2004) e a adaptação de seu romance O cheiro do ralo (2006). Agora, o circuito comercial recebe Natimorto (2009), filme de estreia do diretor Paulo Machline, que adapta seu romance O natimorto: um musical silencioso.

No longa, um caça-talentos (o próprio Mutarelli) recebe uma cantora (Simone Spoladore) em São Paulo, com a promessa de apresentá-la a um maestro. A chegada dela, porém, põe seu casamento em cheque, e o agente propõe à cantora algo inusitado: embora mal se conhecessem, eles dividiriam um quarto de hotel do qual ele decide não sair mais, deixando para trás uma profissão, uma esposa (Betty Gofman) e todo o asco que o mundo lhe inspirava.

Surpreendida, a cantora busca um “meio termo”: ela poderia deixar o quarto quando bem entendesse e não teria nenhuma obrigação conjugal com o agente que se considera assexuado. Dessa forma, no quarto esfumaçado pelos cigarros acesos quase ininterruptamente, firma-se o pacto que fundamenta um dos filmes nacionais mais instigantes já produzidos.

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